quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Papo Cabeça

Continuando...

                                                         Lembranças

 Nas calçadinhas de tijolos, as crianças se sentavam para brincar, as brincadeiras invariavelmente eram amarelinha, pega-pega, esconde-esconde, pular corda. . . 






Não se perdia tempo, ganhava-se amiguinhos e lembranças para sempre.


O semblante sério de sua mãe às vezes interpunha nas brincadeiras, era tão sofrida coitada, era impressionante como a maioria das mulheres naquele tempo sofriam caladas, era proibido se queixar, foram criadas para o trabalho de ter filhos, cozinhar, lavar, limpar, passar e fingir que não viam as escapadas dos maridos. . . 

Muitas delas se quisessem comer além do arroz e feijão tinham que encontrar tempo entre um filho e outro para cultivarem roças de milho, hortas e criar galinhas.




Casavam-se cedo para fugir de um pai tirano e caiam nas garras de um homem alheio e insensível. . . Como era difícil ser mulher naquele tempo e ainda achavam tempo para cantarolar canções na beira do rio onde lavavam roupas. 


Tinham em média muitos filhos, quase sempre mais que cinco e algumas mais que dez. . . Eram suas alegrias; cuidar dos filhos naquele tempo era simples, eles viviam pelo terreiro das casas, comendo frutas direto do pé, descalços e vendendo saúde! 




As mulheres levavam a sério o resguardo, com canja de galinha e repouso, mas em contrapartida trabalhavam muito durante a gravidez, até o último instante. Em algumas mulheres as contrações chegavam e elas estavam com o cabo da enxada na mão. 
Mulheres gloriosas, verdadeiras fortalezas. . .
Olga se recorda desse tempo e consegue ver no interior de suas lembranças os lençóis branquinhos “quarando” na beira do rio, até o som das canções que elas cantavam com água pelo joelho. . .

Como conseguiam deixar a roupa tão limpa com água de rio, e sabão feito em casa?
 Isso será um mistério eterno.
Continua...